Português, Quero ser tradutor

Onde conseguir trabalhos de tradução?

Marina Borges / 11 de dezembro de 2020
Imagem lá do rawpixel.com

No post passado falei sobre como conseguir trabalhos de tradução, só esqueci de dizer onde, né? Me senti em dívida com vocês, daí resolvi complementar com esse aqui. O como você já sabe, vamos falar então sobre onde ver e ser visto.

Para os tradutores iniciantes

Você está aí bonito e cheiroso com seu diploma embaixo do braço, cheio de disposição. Pois bem, ao meu ver, você tem duas opções: mergulhar no mundo freelancer e sair mandando currículos para agências ou ir trabalhar com tradutor interno em uma. Eu sei que a segunda opção não é viável para todo tradutor, visto que as maiores agências estão nos grandes centros urbanos, mas como esse foi o caminho que eu tomei, posso falar por experiência própria que é um grande aprendizado.

Apesar do aspecto financeiro não ser nada interessante, a vivência dentro de uma agência de tradução vai ter dar ferramentas para encarar o mercado freelancer da tradução. Com certeza você pode usufruir de todos os aprendizados ali – ser revisado por profissionais mais experientes, entender as etapas da linha de produção, conhecer novas CAT Tools e programas. Eu tenho a mais absoluta certeza que você pode investir nesse sentido para enriquecer seu currículo, abrir seus horizontes e chegar ao mercado freelancer mais tarde com mais destaque. Mas novamente, nada te impede de escolher esse caminho mesmo no começo da carreira e ir aprendendo com a prática.

O mercado freelancer

Acho que a maior parte dos estudantes de tradução sonha com o home office e o trabalho sem vínculo com agências brasileiras e estrangeiras. Onde estão as agências, Marina? Bom, a resposta mais óbvia é no Google – basta digitar “agência de tradução”, procurar no site de uma algo no estilo “trabalhe conosco” e mandar o currículo.

Mas como saber se a agência é legal, paga em dia e vai valorizar o seu profissionalismo? Fácil, Blue Board do Proz – mas olha que coisa, ele só fica disponível para quem é assinante. Calma, isso não é um balde de água fria, longe de mim.

Outro modo mais fácil de encontrar agências bacanas com quem trabalhar é acessar o site da GALA, a Globalization and Localization Association. Como o próprio nome explica, é uma associação de agências de tradução. Em “Member Directory”, você vai encontrar todas as empresas associadas. Faça sua pesquisa de acordo com seus interesses e siga a mesma receita: mandar CV, aguardar, fazer teste e começar a trabalhar. Vale a pena dar uma lida no Pequeno manual do tradutor autônomo parte I e parte II que já publiquei aqui para não dar um passo em falso.

Aviso de spoiler

Não estou dizendo que necessariamente vai acontecer com você, mas não é nada incomum esse processo demorar. Você vai enviar dezenas, às vezes até centenas de CVs para diversas agências e muitas vezes não vai chegar resposta nenhuma. Não desanime. Minha sugestão é ir pesquisando agências no GALA e prestar atenção nos anúncios do Proz (mesmo sem ser assinante eles estão lá), no Linkedin e nos grupos de Facebook, por que não?

Minha dica é prestar atenção aos detalhes. Veja o que o anúncio pede especificamente. Edite seu currículo com o maior número de informações que atende àquela exigência. Não tenha um modelo fechado de CV, coloque e retire informações conforme o contexto exija. Seu perfil com certeza vai se destacar na pilha de envios.

Clientes diretos

São o Monte Olimpo do mercado, né? Imagina traduzir para um indivíduo ou empresa sem intermediários? Pois é, pense bem. Além de traduzir, você vai ter que fazer o papel deles, oferecendo serviços extras como:

  • Diagramação – entregar o arquivo no formato em que recebeu, o que costuma ser um grande problema se você não domina programas de edição;
  • Negociação de valores – uma agência tem vendedores treinados e experientes que conseguem convencer clientes complicados a aceitarem pagar mais e aguardar um prazo maior;
  • Recebimento de pagamento – Ah, se todo cliente fosse bonzinho, que mundo maravilhoso esse seria.

Sem contar aquele problema frequente, a exigência de nota fiscal. Tradutores iniciantes não costumam tê-la, visto que não podemos ser MEI. Clientes não costumam gostar de RPA também. Mas essa sopa de letrinhas que explico em um próximo post, prometo. Clientes diretos também não são sempre um sonho não, tá? Desculpa acabar com essa ilusão também.

Esse é o mercado profissional da tradução – reparou que eu não mencionei sites para freelancers? O pouco contato que tive com eles me fez ver que as tarifas que eles oferecem estão muito (mas muito) abaixo do que o Proz tem a oferecer, por exemplo. Pense bem para quem você vai trabalhar se quiser entrar nessa carreira com o pé direito, ok?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Protected with IP Blacklist CloudIP Blacklist Cloud