Português

Profissionalize-se

Marina Borges / 6 de julho de 2015

balaio

O mercado de tradução já me foi definido por uma amiga como um balaio de gato e não posso discordar. Por não ser uma profissão protegida por conselhos como os advogados, os médicos, os engenheiros e tantos outros, no Brasil o mercado de tradução abrange todo tipo de profissional. Até os não profissionais.

O pessoal se esquece, no entanto, que nossa profissão é a primeira afetada pela globalização. Os estrangeiros estão, cada vez mais, em busca de falantes nativos de português do Brasil (0 mercado lá fora é sério, leva o conceito de falante nativo em consideração), então já passou da hora de a gente aproveitar essa fatia profissional do mercado. Porque, cá entre nós, com uma concorrência despreparada como a do nosso mercado – li uma legenda outro dia com “visinho”, com s – nada mais simples do que achar seu lugar ao sol.

Alguns princípios básicos que eu aprendi ao longo dos anos e que faço questão de seguir de agora em diante são:

  • Revisão. Como é importante passar pelo aval do próximo, nossa. A perspectiva do texto muda completamente, erros crassos que seu olho viciado naquelas 17 mil palavras infindáveis não pegou são detectados automaticamente por um leitor novo do mesmo texto. Eu sei, eu sei – na correria do dia a dia frenético que temos nessa era conectada revisão é até um luxo. Mas olha, até uma auto-revisão no final do seu trabalho, facilitada com ferramentas como mudança drástica da fonte para “desviciar” seu olhar, provam ser, no final das contas., uma escolha bem acertada;
  • Correção ortográfica. Sua CAT tem corretor, seu Word tem corretor, internet tá aí cheia de recursos. Por que, então, ainda passam erros como visinho? Sinceramente, acho imperdoável, se acontece comigo passo três dias chorando embaixo do edredom. Paralisação, por exemplo, me dói escrever com S, mas nunca mais errei;
  • Pontualidade na entrega. Provei do meu veneno recentemente nesse quesito. Falo tanto disso aqui no blog e aprendi na marra a me atentar aos horários de entrega, não só às datas. Jurava que um documento era para o final do dia e era para o começo, em outro continente. Sabe o que aconteceu? Seis e meia da manhã de uma segunda tocou meu telefone, com cobrança do outro lado do mundo. Tá achando que não acontece nada? Acontece de tudo, você é só um pedaço da cadeia de produção;
  • Preços. Profissionalize-se nesse quesito também. Tive essa luz com uma colega no congresso, com quem reclamei que estava cansada de tanto trabalho, sem tempo de descanso. Ela, bem mais experiente, só me disse “Sinal de que pode cobrar mais”. Parece óbvio, mas precisa alguém de fora nos contar para a ficha cair. Profissionalize-se valorizando seu passe, seus clientes não vão se incomodar de valorizar seu trabalho, seu serviço vale a pena. Tradução barata tem todo dia no jornal, precisando de um serviço de qualidade, as pessoas pagam o justo.

Façamos por onde para seguir evoluindo. Evoluindo e organizando o nosso balaio aos pouquinhos. 

1 thought on “Profissionalize-se

  1. Marina, adorei o seu blog! Estou pensando em fazer um curso em tradução, mas gostaria de indicações. Tenho pouquíssima experiência…trabalho com Direito e, por vezes, traduzo documentos jurídicos ou então escrevo direto em inglês. Também faço parte de uma equipe de legendagem, que tem me inspirado muito a me especializar nessa área. Poderia me passar o seu e-mail para batermos um papo?
    Beijos!

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