Português

Como encher meu CV?

Marina Borges / 7 de setembro de 2018

Foto do(a) rawpixel no Unsplash

Tá começando agora?
Com muita vontade de virar tradutor?
Seu currículo não está te ajudando?

Vamos virar esse jogo, então.

Primeira coisa que você tem que saber é que em tradução existe um conceito muito importante: a confidencialidade. Muita coisa que se traduz é confidencial (pedido de patente para o coleguinha não roubar sua ideia, contrato de serviço para o coleguinha não roubar sua ideia, artigo científico para o coleguinha não roubar sua ideia antes dela ser publicada em periódico internacional), etc., etc.

Então quando você for escrever no seu currículo que tem clientes como Nike, Canon, Petrobras, ninguém vai acreditar, né? Você está começando e esses clientes são da sua agência (se não de outra que a terceirizou).

Portanto, tenha extremo cuidado ao publicar em redes sociais:

  • o que você está traduzindo,
  • para quem,
  • em que evento (estou falando com vocês, intérpretes!).

Se uma informação importante prejudicar o seu cliente final, adivinha quem pode ser responsabilizado.

Mas eu estava falando de encher currículo, fazer portfólio, né? Vamos lá: busque textos de domínio público. Olha que sorte você tem: estamos em 2018, nessa Internet de meu Deus o que não falta é texto de domínio público. Toda uma Wikipédia à sua disposição para ser traduzida. Todo um Coursera a ser legendado. Todo um Tradutores sem fronteiras à espera de voluntários.

O primeiro passo é você fazer um perfil no Proz. Para o Tradutores sem fronteiras, por exemplo, o Proz é a carteira de identidade. Sem contar que o TWB coloca no seu perfil do Proz com quantas palavras você já contribuiu, olha que legal! Quem for visitar seu perfil já vê com outros olhos, se levar em conta o trabalho legal que você está fazendo para o próximo.

“Ah, mas eu gosto mesmo é de legenda”. Não tem problema, o Coursera, para quem não conhece, é uma plataforma de cursos on-line gratuitos, de todos os ramos do conhecimento. A maioria desses cursos está disponível em inglês e precisa de legendas. Visite esse site e se cadastre como tradutor voluntário. Os cursos são excelentes, a tradução é realizada on-line, via Smartling (olha aí, mais uma informação para o seu CV, o domínio de mais uma CAT Tool). Sem contar que você pode linkar depois o curso no seu portfólio para mostrar para o mundo “colé, maluco, traduzi isso aqui sobre nanotecnologia, ó!” (mas em linguagem formal, né? não me envergonha).

Se o seu negócio for traduzir uns textos bem técnicos para deixar o portfólio/CV tinindo, recorra à Wikipédia, por que não? Traduza aquele artigo absurdo sobre o tema da sua preferência, para todos os seus idiomas de trabalho. “Ah, mas alguém pode editar depois” – pode, verdade, mas você vai ter contribuído, aprendido e ganhado uma exposição on-line gratuita, olha só que coisa. Sem contar que tradutores do mundo todo sem saber lhe serão eternamente gratos se você tiver traduzido o nome daquela espécie de peixe, daquele tipo de válvula, daquele conceito de física. Vai ganhar seu pedacinho no céu, acredite.

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