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Aprendizados recentes do ofício

Marina Borges / 3 de agosto de 2014

Parece que minha investida como freelancer está finalmente provando ser uma escolha certa em termos de trabalho. Faz um bom tempo que – ainda bem – estou trabalhando num ritmo bem acelerado. Acho vantajoso para fazer um pé de meia para os meses mais parados (meu último janeiro foi um marasmo) e para aprender uns macetes da profissão.

Urgente não significa mais nada (para mim)

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Parei de me martirizar com prazos. Não que não me importe mais com eles, em absoluto, mas não mais me submeto à guerra psicológica que eles originam. As pessoas estão mudando o significado de urgente, querem tudo pra semana retrasada. Pera lá. Recentemente, por exemplo, me passaram um trabalho que eu não consegui deixar editável para traduzir com uma CAT tool. Me senti em 1953, traduzindo olhando para um papel no original e digitando palavra por palavra na outra língua. Claro que não iria conseguir cumprir o prazo. Avisei o cliente – que, naturalmente, já tinha passado a informação a seu cliente final e ficou tenso com a possível falha. Em outros tempos, me sentiria extremamente culpada e me dividiria em 3 para cumprir o prazo. Dessa vez fui firme, expliquei a situação, disse que estava buscando outros tradutores para me ajudarem e que não, o documento não ia sair naquela hora previamente acordada. Os momentos de pânico exigem tranquilidade, ora bolas. Meu irmão acabou me dando uma grande ajuda (porque Murphy é meu pastor e ninguém mais estava disponível) e entreguei pouco tempo depois do acordo, em condições de temperatura e pressão extremamente não favoráveis. O cliente percebeu o abacaxi que descasquei e ficou agradecido. Melhor do que ter me desesperado, feito de qualquer jeito e perder um cliente, não é mesmo?

Não há motivo para crescer o olho

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Essa é uma opinião completamente pessoal, creio que varia de pessoa para pessoa, mas olha: ando fugindo de projeto grande. Acima de 15 mil palavras para mim é grande. Primeiro, porque funciono melhor com documentos curtos, já que não vou ficar entediada com aquele assunto infinito e a tradução flui melhor, visto que você não está na página 27 de 256. Aceitei projetos longos por pura ganância, confesso e agora arrependimento, teu nome é Marina Borges. Sem contar que em geral são vários tradutores trabalhando em projetos como esse, é uma situação estranha. Como bem disse uma fulana para mim, quando soube que era tradutora: oh it sounds like a lonely job. Solitário, sim, e eu adoro. Detesto ter que ficar discutindo com outrem se vamos uniformizar a tradução de “under the term of” por “consoante”, “segundo” ou “nos termos de”. Caixão não tem gaveta e 20 documentos pequenos são do mesmo tamanho de um grandão no fim do mês.

Transcrição é transcrição, tradução é tradução

Me pediram para transcrever e traduzir um vídeo de 20 minutos dia desses. Nunca tinha feito um trabalho do tipo, consultei a tabela do Sintra, estava lá “transcrição de áudio em mais de um idioma”, cobrei o equivalente do valor da hora. Tolice minha. Tive um trabalho dobrado traduzindo também. Deveria ter cobrado pela transcrição desse modo, sim (só que só em um idioma) e depois cobrado a tradução pelo número de palavras produzido. Vivendo a aprendendo, da próxima vez cobro o preço certo.

Mudança de ares

Aproveitei o dinheirinho extra e comprei mobília nova pro meu home office. Investi em uma boa estante (para que na hora de pegar um dicionário eu levante e dê uma levantada da cadeira), em prateleiras para tirar todos os bibelôs da minha mesa e, sim, me dei uma linda mesa nova. Assim que tudo estiver arrumado, tiro fotos e posto no blog. Acho que vale muito a pena estar sempre em busca de um local de trabalho ideal. Já temos todas as questões de trabalhar em casa, em horários absurdos – o mínimo que podemos ter é certo conforto.

6 thoughts on “Aprendizados recentes do ofício

  1. Oi Marina , parabens pelo blog em primeiro lugar. Eu sou a Lia de São Luis.

    Li seu post e me identifiquei na hora.
    Gostaria de te pedir uma orientação. Recebi uma proposta de trabalho e não sei quanto cobrar e não quero perguntar para o cliente ele perceber que sou inexperiente.

    Traduzir eu sei , estou acostumada a fazer, mas transcrever, significa o que ? É o mesmo que legendar? Ou apenas criar uma legenda srt?

    E também quanto devo cobrar? Sou novata e tenho receio de cobrar demais e perder o cliente ou cobrar de menos. me destabacar de trabalhar e não valer a pena.Pode me ajudar nessa?

    Os vídeos estão no idioma Inglês e precisam ser transcritos para o Português.

    Conteúdo: Técnico na área de Governança de TI
    Fornecemos o Glossário Oficial (Inglês/Português) para manter os mesmos termos originais.
    Fornecemos também, caso seja necessário, o material oficial fonte que foram
    utilizados para a gravação dos vídeos.

    Deverá ser traduzido, transcritos e interpretado para o Português. Entende-se por “interpretação”, manter coerência na tradução e linguagem de fácil leitura.

    O total de horas gravadas nos vídeos no idioma em Inglês é de 06:29 (389 minutos)

    Agradeço muito meu e-mail é : eleize15@gmail.com

  2. Marina quanto devo cobrar por esse trabalho?

    Descrição:

    NÃO É UM SERVIÇO DE TRADUÇÃO! E sim parafrasear, interpretar e resumir. Entende-se por “parafrasear”, como “explicar com suas próprias palavras” as ideias ou conceitos obtidos do material fonte.

    O profissional deve parafrasear, interpretar e resumir para evitar o plágio, assim como, resumir assuntos semelhantes ou aumentar o conteúdo de assuntos muito sucintos.

    Foco: Manter coerência no texto com uma linguagem de fácil leitura e compreensão. O profissional deve imaginar que o texto será lido por uma pessoa de 13 anos.

    • Objetivo: Conteúdo será utilizado para narração em treinamento online
    • Estilo: Informal, com palavras coloquiais e de fácil compreensão
    • Tema: Teste de Software
    • Material base com 104.065 palavras (é base porque será interpretado e resumido)
    • Tradução do Glossário: 3.164 palavras
    • Marcar as palavras em negrito que servirão de tópicos para posterior elaboração de Power Point (O profissional, se preferir, pode fazer direto em um Power Point também).
    • Não pode eliminar textos do material fonte, porém pode acrescentar conteúdo se o profissional achar necessário.
    • Deve se separar os itens em textos de aproximadamente 300 a 400 palavras que serão inseridas em cada slide, com o objetivo de melhor organizar as ideias e os conteúdos.
    • Deve ainda inserir pelo menos 1 ou 2 questões por slide

  3. Só para explicar: transcrição é escrever algo que se escuta. Não existe trascrição do inglês para o português, existe transcrição do inglês (em áudio) para o inglês (escrito), e posterior tradução (escrita) para o português. Tem que cobrar pelos dois serviços.

  4. Oi, Marina!

    Olha só, sou tradutor iniciante e estou naquela situação: surgiu uma oportunidade para legendagem (alemão > português), me perguntaram o preço, não sei quanto cobrar…
    Estou já um pouco cético quanto à tabela do Sintra – alguém nesse Brasil de fato paga R$ 0,38 por palavra? como confiar numa tabela que está fora da realidade (ao menos em alguns valores)?

    Lendo teu post, achei um pouco estranha a maneira como você acha justo cobrar pela legendagem, isto é, transcrição monolíngue e depois tradução de texto (cobrada por palavra no texto-meta, ainda por cima?). Pelo pouco de experiência que eu tenho com legendagem, eu afirmo com convicção: não é a mesma coisa que traduzir texto escrito. Mas como faz, daí?
    Pelo que vi por outras paragens, tem gente que cobra por minuto (como parece sugerir o Sintra, embora de maneira bem confusa: R$ 39,00 por 15 minutos…?). Isso parece mais razoável, sendo que o tradutor vai ter que assistir o vídeo mesmo que não tenha fala (ou escrita na imagem) o tempo inteiro, né? Mas vi preços diferentes por pessoas diferentes (e possivelmente em anos diferentes), entre R$5,00 e R$10,00… de novo, como faz? E considerando ainda que alemão é uma língua “rara”, quanto % cobrar a mais…?

    Enfim, visto que esse post é de uns 2 anos atrás, queria saber se a tua prática nessa área mudou de lá para cá. Não espero que você saiba a solução para todos os meus problemas, mas queria trazer essa discussão pra roda.

  5. Olá Eduardo,
    Desculpe, estou meio ausente do blog e só vi seu comentário hoje.
    Eu não trabalho diretamente com legendagem, esse foi um trabalho esporádico, então não sou a melhor pessoa para te explicar. Me manda um e-mail que te repasso o contato de legendadores que conseguem te dar uma ideia melhor do mercado atual, ok? contato@falecommarina.com.br

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