Português

Transcrição traduzida

Marina Borges / 21 de março de 2013

Aperte o play e leia abaixo:

Meu nome é Félix de Azúa, fui professor de filosofia por 30 anos na Escola de Arquitetura de Barcelona e no último ano me mudei de Barcelona para Madrid, me mudei para Madrid devido a um problema linguístico. A Catalunha é uma parte pequena da Espanha – sempre perteceu à Espanha, mas nos últimos tempos, o conflito político fez com que uma parte da sociedade, a mais poderosa, quisesse ficar independente. O problema não é esse – temos aí os exemplos da Escócia e de Quebec – mas ao contrário da Escócia, na Catalunha o nacionalismo tem como senha fundamental de identidade a língua. Por isso os conflitos linguísticos são muito difíceis de resolver e, ao meu ver, são de ordem parafascista – ou seja, muito próximo ao fascismo. A língua é utilizada para segregar, para separar – não para mim, é claro – e, mesmo que eles digam que a intenção é simplesmente que todo mundo saiba falar catalão; isso é assim, é claro, mas é muito mais. A intenção final é acabar com o espanhol e, acima de tudo, influenciar as crianças, as pessoas com baixo nível de educação, com uma pedagogia (que é cada vez mais forte) de ódio ao espanhol. O que acontece, por exemplo, e que chamou bastante a atenção nos países educados da Europa, foi a proibição das corridas de touros. Na Catalunha, os touros foram proibidos porque são espanhois. Deram a desculpa da tortura de animais… Este é um caso, mas há muitos outros. E quanto à questão linguística, o problema é o seguinte: a educação é estrita e unicamente em catalão. Embora ele digam que também há educação em castelhano, é mentira, todo o sistema é um sistema baseado em mentiras. Não há aulas em castelhano, mas até certo ponto a perseguição ao castelhano é tão forte que em alguns colégios – há muitos colégios bastante talibãs – em alguns colégios, alguns professores se passam por inspetores e ficam no pátio, evitando que as crianças conversem em castelhano no recreio, no pátio. Ou seja, a pressão totalitária é fortíssima. E os livros didáticos dizem coisas como, por exemplo, que a guerra civil espanhola foi uma invasão de espanhois… de alguns espanhois que invadiram a Catalunha. E estas mentiras são o pão de cada dia, e mais de uma geração já acredita nisso. Então, os jovens querem a independência porque, naturalmente, tiveram uma educação espantosa. O resultado foi que, há aproximadamente um ano e meio, percebemos, minha mulher e eu, que íamos ter uma criatura, então era necessário escolher. Si continuássemos na Catalunha, ela seria educada pelos catalães – pior ainda, pelos nacionalistas catalães; controlam absolutamente a educação. Do começo ao fim: de um modo completamente totalitário, sabe? Do mesmo modo que os meios de comunicação. Então pensamos: se ela for educada aqui, vão acontecer coisas como, por exemplo, o que aconteceu com um amigo meu, cujo filho de oito anos chegou em casa e perguntou: “Papai, o que a gente é: catalães ou fachas (fascistas)”? De modo que – nem pensar, não pode ser porque, além do mais, essa menina, logo que crescer um pouco, vai ver seus avós, que são de Oviedo e perguntar “por que estão roubando”? Porque naturalmente, toda a pedagogia catalã é que os espanhois os roubam. Por isso, decidimos que não podíamos permanecer ali, que íamos para Madri; o que fizemos. A menina agora tem um ano, é madrilenha, nasceu em Madri, já frequenta uma creche ótima e estamos procurando um colégio. E estamos encantados.

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