Español, Português

Tradução: “Congresso da Língua”

Marina Borges / 22 de outubro de 2013

Congresso da Língua: fala-se mais espanhol, mas se lê menos

Escritores, editores e autoridades governamentais que participam no Panamá do VI Congresso Internacional alertaram sobre a queda das taxas de leitura e de seu impacto sobre o futuro dos livros

 mvllosaMario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura, falou no Panamá
sobre o vínculo entre as idéias e os livros. Foto: Reuters 

CIDADE DO PANAMÁ. –  “O espírito crítico, resultado das idéias contidas nos livros de papel, pode empobrecer extraordinariamente se as telas acabarem enterrando os livros”, advertiu o Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa. “E os inimigos mais cordeais da leitura são a academia e a indústria editorial”, acrescentou, sem querer ser politicamente correto, o escritor colombiano William Ospina.

Vargas Llosa e Ospina são duas das muitas vozes que, apesar de celebrarem o dinamismo, a riqueza e a pujança da língua, alertaram para os riscos enfrentados pela leitura, sobretudo no mundo hispanófono, no VI Congresso Internacional da Língua Espanhola, que termina amanhã nesta capital.

Na reunião, da qual participam delegações de 22 países e territórios que têm o espanhol como língua oficial e também os territórios onde o idioma impõe a sua presença, como nos Estados Unidos, também foi destacada a responsabilidade que os governos têm na promoção da leitura.

“Ler é um prazer e é isso que nós temos que transmitir”, resumiu Ospina, em sintonia com a opinião de muitos especialistas aqui que consideram importante despojar a leitura, para a promoção da mesma, da carga utilitária que ela carregou até agora. De fato, o Panamá apresentou os resultados de um novo sistema de leitura cuja pedagogia se baseia nas histórias que os próprios alunos escrevem.

A preocupação tem sua base nas pesquisas sobre o quanto se lê no mundo hispanófono. Para se ter uma idéia do problema, é suficiente apresentar a seguinte estatística: na América Latina, cada habitante lê entre 2-5 livros por ano (dependendo do país), enquanto que na Espanha esse número equivale a 10 livros – embora esta cifra seja baixa quando comparada aos vizinhos europeus.

Com o lema “O espanhol no livro: do Atlântico ao Mar do Sul”, o congresso da língua (que, em 2004, foi realizado na cidade de Rosário) não esquivou-se da incerteza gerada no mundo editorial pelas novas mídias digitais. “Estou convencido de que a literatura escrita exclusivamente para as telas é uma literatura mais superficial, de puro entretenimento e conformista”, disse Vargas Llosa. Ele acrescentou: “Acho que é muito difícil profetizar o que vai acontecer, se o livro digital irá cancelar o livro de papel inteiramente, se finalmente haverá uma legalidade sobre o livro e a cultura digital; sobre isso ainda não sabemos nada, há uma grande incerteza”. Por enquanto, no mercado, a oferta de títulos digitais dobrou na América Latina: passou de 8,6% para 16,9%.

O congresso foi aberto ontem pelo presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, pelo príncipe das Astúrias, Felipe de Borbón, e pelo próprio Vargas Llosa. O evento esteve voltado para a questão dos direitos autorais. Neste sentido, o diretor da Real Academia Espanhola da Língua, José Manuel Blecua, advertiu que “se pode roubar pela Internet 200 mil títulos de livros” neste idioma.

Falando ontem na mesa redonda sobre “O Livro entre a criação e a comunicação”, o escritor chileno Antonio Skármeta considerou que as novas ferramentas criam aproximações do feito literário, mas “não alteram a presença imponente do livro, com a autoridade de seu prestígio, os atributos de sua diagramação, tipografia, textura de papel, desenho de capa e ligação com a academia e imprensa”.

Os debates e reflexões sobre o livro e a língua continuarão hoje. Uma pequena delegação argentina compreende, entre outros, o presidente da Academia Argentina de Letras, José Luis Moure, o diretor da Biblioteca Nacional, Horacio González, os escritores Abel Posse  e Guillermo Martínez, e o desenhista Miguel Repiso, conhecido como Rep.

Agências DPA e EFE

Tradução do original em espanhol disponível aqui.
Traducción al portugués del original en español disponible aquí.
Portuguese translation of the original Spanish version available here.

 

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