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Um dia na vida de um tradutor freelancer

Marina Borges / 2 de setembro de 2020
Imagem do rawpixel.com

Já vou começar com um spoiler: um dia na vida de um tradutor freelancer nunca é igual a outro. Se quiser trabalhar com isso, acostume-se.

E no começo…

Por exemplo, lembro que no começo da minha empreitada freelancer tinha dia que não acontecia nada. Tinha mandado dezenas de currículos e simplesmente não chegava nenhum e-mail. Ou então tinha feito documentos umas duas semanas seguidas e numa segunda-feira, nada acontecia. E aí batia o desespero. Quanto tempo essa seca vai durar? Como vou pagar os boletos? – as angústias de sempre.

Mas estamos aqui para falar sobre a rotina, não é mesmo? Vamos a ela.

Todo dia ela faz tudo sempre igual?

Atualmente, começo meu dia anotando na minha agenda tudo o que tenho que fazer, em estilo bullet journal (serve Evernote e afins, também). Sempre começo com o backup. Uso um programa chamado SyncBackFree, onde é possível editar comandos automáticos segundo suas necessidades de arquivamento. Basta clicar em um botão. Salvo tanto no meu HD externo como na nuvem, numa conta do Onedrive que tenho, que veio de cortesia com a assinatura do Office 365. Invista na nuvem, pessoal, o Dropbox é outra boa opção.

Depois, provavelmente vou verificar se tem alguma conta a ser paga, sejam os impostos da minha empresa ou minhas despesas pessoais. Tento lidar com a burocracia nossa de cada dia logo no começo do dia para não deixar nada acumular. É quando vejo também se preciso emitir alguma invoice para agências ou coisas do tipo.

Então, começo a traduzir efetivamente. As dicas que posso dar em relação a isso são: procuro sempre ter água ao meu alcance na mesa e me levantar periodicamente para dar uma trégua para a coluna. Fico distraída com redes sociais nesse meio termo? Naturalmente. Se passa algum vídeo de filhote, então… Imperdível, mas na média produzo bem. Cumpro as metas que estabeleço.

Tem trabalho todo dia?

A vida de freelancer difere da carteira assinada e pagamento certo todo dia 20 pela imprevisibilidade. Mesmo eu, atualmente com certa estabilidade, não sei ao certo como será minha semana. Os trabalhos podem chegar de repente e eu ter um dia de cão ou podem vir com prazos super confortáveis. Varia bastante, não tem como ter uma ideia de verdade.

A pandemia, então, desestabilizou isso mais ainda. Eu costumava trabalhar com umas três agências e clientes esporádicos. Só continuo com uma – as outras duas simplesmente pararam de entrar em contato. Desde março. Não sei o que vai acontecer, não procurei conversar com ninguém para ter uma ideia do futuro, mas é algo que me dá certo medo.

Posso dizer que a sua rotina vai depender do seu perfil de captação de clientes. Eu, por exemplo, não estou ativamente procurando trabalho – a maioria dos meus clientes chega por indicação e minha disponibilidade atual dá conta do recado. É uma postura bem diferente de um iniciante, que ativamente entra no Proz ou no LinkedIn em busca de oportunidades.

Cada fase da sua carreira de tradutor freelancer te faz agir de certo modo. Basta disciplina, organização, profissionalismo e esperança, sempre.

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