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Você é um tradutor especializado em que?

Marina Borges / 11 de agosto de 2020
Imagem de Nino Carè por Pixabay

Muitos clientes e agências em potencial já devem ter te perguntado: “Você é um tradutor especializado em que?”. E aí você para e pensa: “Eu sou um tradutor especializado em…” – uma resposta complexa, eu sei.

Comigo, por exemplo, sempre vem o pensamento do estilo “Mas eu entendo tanto assim desse assunto para ser uma expert?”. Talvez sim, talvez não.

Vejamos.

O que é especialização?

Para começo de conversa, em se tratando do contexto de tradução, especialização pode significar duas coisas: ou você estudou bastante aquela matéria ou você traduziu bastante aquele assunto.

O curso de graduação em tradução da UnB, por exemplo, em sua parte prática do currículo, divide as disciplinas em cinco nichos:

  • Textos gerais;
  • Jurídicos;
  • Econômicos;
  • Técnico-científicos e
  • Literários.

A partir daí a gente já pode ver como as áreas do conhecimento humano são tão vastas que cinco divisórias não são suficientes. Onde fica a sociologia – é técnica ou econômica? E direitos humanos – jurídico ou geral? Esportes são textos gerais? Por que são inferiores a literatura, que tem uma divisória própria?

Nesse sentido, na hora de preencher seu perfil, o Proz oferece uma lista de conhecimentos bem mais ampla, destrinchando o direito, por exemplo, em patentes, seguros, e os tantos ramos dele. Mesma coisa para engenharia, química, esportes! Mas é uma pequena grande lista, viu.

Especialize-se. Ou não.

Ao meu ver, se especializar em determinado assunto para traduzir é uma questão de escolha pessoal. Tanto para atuação no mercado – quanto mais você dominar determinado assunto, mais alto pode cobrar pela sua expertise – como para satisfação pessoal.

Tem gente que só se interessa por tradução médica, não importa se você oferecer um montão de quadrinhos para eles traduzirem. É uma questão de estilo, de preferência de conteúdo. A consequência é que de tanto a pessoa traduzir só medicina, ela já começa a falar a língua deles (ninguém vai me convencer de que eles não falam uma língua própria!).

Eu, por outro lado, fujo de medicina como tudo – nunca me achei naquele ambiente, sempre acho que vou cometer o maior dos erros, então simplesmente não faço medicina. Opção consciente minha. Por outro lado, pensava a mesma coisa quando comecei a trabalhar em uma empresa de engenharia – ai, engenharia, exatas, eca! Mas olha eu aqui anos depois doida por um memorial descritivo para fazer glossários recheados. Quem sabe um dia eu encare medicina de frente também, né?

Como se especializar

Colocando a mão na massa, amigos. Um bom começo é passar a ler os cadernos “técnicos” do jornal: economia, ciência, política – por que não? Em economia, por exemplo, grande parte dos artigos são traduções, você sabia? Principalmente os de economia internacional. Verifique no começo da matéria se não tem um “Reuters” ou “Financial Times”, encontre o artigo original online (eu sei que você consegue) e pronto, está aí uma dupla para alimentar sua TM e diversos termos para montar glossários.

Já falei aqui diversas outras possibilidades para praticar tradução na internet e montar TMs e glossários. Aproveite a quarentena para fazer isso, por que não? Já tira suas dúvidas no Proz, ganha uns pontinhos e dá-lhe currículo novo!

Especializações? As que você quiser.

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