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Cantinho do leitor

Marina Borges / 3 de Maio de 2018

De vez em quando recebo mensagens de leitores do blog e sempre meio que levo um susto. Esqueço que estou aqui para ser lida, né? Ainda assim, agradeço a todo mundo que me escreve para elogiar, criticar, pedir dicas, conselhos, sugestões – essa troca é sempre benéfica.

Há uns dias chegou uma mensagem da Ana com tantos tópicos diferentes, que pedi e ela gentilmente me permitiu respondê-la por post. Só vou omitir informações pessoais, mas acredito que muitas de suas dúvidas possam ser as de outros. Segue:

Olá, Marina! Descobri seu blog ao buscar informações sobre as diferentes CAT tools e queria pedir umas dicas suas, se você tiver disponibilidade (sei que a vida de tradutor é corrida!). Sou formada em Letras e trabalhei com tradução em uma agência, mas desde então não tive mais experiência nessa área. Na época eu usava uma licença do Trados cedida pela agência, então não tenho licença de nenhuma das principais CAT tools no momento. Eu estou pretendendo voltar a trabalhar com isso, mas por conta. Qual seria a melhor forma de proceder, na sua opinião? Penso em usar o ProZ para buscar trabalhos, pelo menos inicialmente, e a princípio usar o Wordfast Anywhere e versões demo até poder investir em uma licença. Nunca tive que lidar diretamente com clientes e confesso que estou um tanto nervosa. Você tem algum procedimento geral ou dica de como tratar com os clientes? Outra pergunta: você já chegou a pagar outra pessoa para fazer a revisão do trabalho, e embutir isso no preço? Eu estava considerando fazer isso. Obrigada pela atenção! E pelo blog super útil.

Oi Ana, vamos por partes?

Trabalho interno em agências

Acho que o fato de você ter trabalhado em uma agência, mesmo que por pouco tempo, é uma ótima experiência para agora poder trabalhar como tradutora autônoma. Tenho certeza que você teve contato com textos de conteúdo fora do padrão e prazos mais fora ainda. Eu fui tradutora interna muitos anos e vi de tudo, então o que surge na minha frente agora já não me assusta tanto. Sei que as pessoas ficam ressentidas de trabalhar em agências pelo baixo valor do salário, mas acho que um profissional em início de carreira muitas vezes tem que levar em consideração outro tipo de ganho, conhecimento  – nem só de tradução, mas do processo como um todo: tradução – revisão – diagramação – entrega final, gerenciamento de projetos, relacionamento com clientes, etc.

Licenças de CAT Tools

Concordo que as licenças das CAT são bem caras, mas olha, pode se tranquilizar. Se você tem experiência com Trados, por exemplo, sugiro mencionar isso no seu currículo, pois é bastante comum as agências cederem uma licença para o tradutor freelancer. Não todas, mas muitas fazem. É aquela coisa, tudo se conversa nessa vida.

Uma estratégia que muitos iniciantes usam, também, é baixar a ferramenta e usar o trial (de duração média de 30 a 40 dias), ganhar com trabalhos o valor da CAT e, a partir daí, ter uma licença para chamar de sua. Mas não oculte seu conhecimento de Trados de futuros empregadores só porque não tem uma licença no momento. Existe também uma ótima forma de economizar na licença que é se juntar a outro tradutor interessado e dividir o valor, visto que tanto o Trados como o memoQ (as duas CAT Tools que uso) podem ser usados em 2 computadores por licença. Até hoje divido minha licença do Trados com uma colega, por exemplo.

Você mencionou o Wordfast Anywhere, uma CAT Tool gratuita e online. Ótima plataforma para quem quer aprender a usar esse tipo de programa, ele é de uso bem intuitivo. Outra opção que recomendo é o Memsource, que tem um trial de 30 dias e pode servir de treinamento para quem está começando, além de ser um programa bem completo. Uma CAT Tool gratuita bastante popular também é o OmegaT, mas como nunca usei, não sei dar mais detalhes.

Busca por trabalho

Fazer um perfil no Proz é essencial, é a principal plataforma para sua presença online. Outra maneira gratuita de ver e ser vista é o Linkedin, que vem crescendo bastante na área de tradução. Como ele tem a opção de apresentar perfis em mais de um idioma, já serve como portfólio online para você. Mais tarde, recomendo investir em um site para ter um e-mail com domínio próprio, poder mostrar o profissionalismo do seu serviço. Um passo de cada vez você chega lá. No mais, currículos para agências, clientes diretos, editoras – o que for a sua meta.

Clientes diretos

Falando neles, meu conselho é: seja o mais profissional possível. Mande CVs, portfólios, orçamentos (o que seja) em pdf. Demonstra cuidado com as informações, já que não ficam passíveis de edição. Acho importante um tradutor freelancer investir em uma ferramenta de edição de pdf. Há muitas opções no mercado, atualmente uso o Adobe, mas pelo custo pesado em breve vou migrar para o Abbyy, que vem sendo bem elogiado nos fóruns de tradutores. Uma coisa que acho importantíssima também é prestar bastante atenção no nome do cliente; eu, por exemplo, tenho esse site de nome Fale com Marina e muita gente me manda e-mail me chamando de Mariana. Fico possessa, imagino que uma Tatiane que você chame de Tatiana também fique. Aliás, ler com muito cuidado o e-mail para ver exatamente o que seu cliente precisa é uma atitude meio fora de moda (deve ser a correria da modernidade, não sei). Dedique uns minutinhos a mais para ler a mensagem com calma, a leitura dinâmica às vezes confunde a gente. Negociar preços e prazos também é essencial, demonstrar que se está cobrando X porque vai ter o trabalho Y é o básico. Quando o cliente é cricri, muitas vezes dou um desconto por palavras repetidas ou faço um preço mais camarada para um prazo maior. Novamente, tudo se conversa.

Revisão de terceiros

Olha, se o mundo fosse perfeito e os prazos fossem civilizados, eu revisaria toda e qualquer tradução minha. Versões, por exemplo, sempre peço ajuda de nativos. É uma ótima maneira de você aprimorar sua técnica e dá uma vida nova ao texto. Passa muita coisa por quem está traduzindo um texto já há algum tempo, novos olhos funcionam como um pente fino para, mesmo em casos de uma excelente tradução, achar um erro de digitação, uma cacofonia, coisas do gênero. Motivo pelo qual tenho que convencer o cliente a aceitar meu preço, pois esse tipo de serviço costuma ser pago, naturalmente. Você pode colocar no seu perfil do Proz que faz revisões da sua língua nativa, também, vai que um estrangeiro está se aventurando a traduzir para o português do Brasil e precisa dos seus serviços?

Acho que cobri tudo o que você perguntou, mas qualquer coisa, manda um alô ou deixa um comentário. Quem quiser fazer outras perguntas, fique à vontade também.

Servimos bem para servir sempre ;)

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