Vamos educar nossos clientes?

Ai ai, as coisas que a gente tem que escutar nessa vida.

Dia desses estava conversando com um rapaz e ele me disse, muito surpreso: “Não entendo como você ganha dinheiro como tradutora, todo mundo fala inglês hoje em dia”. Suponho que essa seja a ideia que a classe média brasileira com ensino superior tenha, mas olha, tenho novidades para vocês: um índice ínfimo de brasileiros fala inglês – 5%, segundo o British Council. Você também não fala inglês tão bem assim, não, hein, tô ouvindo daqui seu sotaque. Não pode rir do mexicano do último Star Wars, você nem sabe pronunciar people certinho, aposto.

Choque de realidade número 1.

Ah, mas por exemplo, não entendo como não contratam pessoas qualificadas para traduzir (insira aqui a especialidade favorita). Olha, um tradutor profissional de verdade é qualificado para traduzir qualquer coisa. Nada é intraduzível. “Ah, mas não soa como deve ser”. Perfeito, me passe um guia de estilo, suas preferências, um glossário. Melhor, eu faço o glossário para você aprovar, que tal? Sou muito boa nisso, adoro listas em ordem alfabética. Conversem, clientes, conversando todos nos entendemos.

Você acha que eu me interesso por traduzir algo que não me soa compreensível? Claro que não, queremos sempre oferecer o melhor texto final para sua satisfação, queremos que você traduza conosco novamente. Absolutamente tudo que eu traduzo me faz pesquisar um conceito novo, tenho até uma série de publicações no Facebook da Solarium que trata justamente disso. “Surgiu um termo aqui…” é uma compilação dos conceitos que cruzam o meu caminho, termos que eu ainda não conhecia e que me chamaram a atenção. Traduzir é aprender algo novo em todo trabalho.

Para os autos, outras reclamações comuns de clientes são:

“Vocês são careiros”. Os juramentados talvez, mas só porque quem define a tabela de preços deles é a junta comercial de cada estado. O cartório te cobra uma nota também e não vejo ninguém reclamando com o tabelião.

“Vocês traduzem mal os títulos de filmes” – novamente, estamos livres dessa culpa. Essa manga não é nossa, e sim do pessoal do marketing. Quem decide tradução de título de filme no Brasil é a distribuidora dele.

Respeitem os tradutores, sim? A gente é super bacana e te explica em português quase tudo. Em caso de dúvida, a gente consulta os especialistas.

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